Sócrates
A Seleção Brasileira se portou como preconizava Maquiavel em seu célebre “o Príncipe”. Disse ele: Francisco Sforza, simples particular, tornou-se duque de Milão porque se armou; enquanto seus filhos, porque fugiam aos deveres das armas, duques que eram passaram a simples cidadãos.
Em qualquer confronto, é fundamental mostrar imediatamente as armas que possuis para aniquilar o oponente. Foi o que fez desde o início a equipe brasileira desde que percebeu a reverência chilena.
Maquiavel continua: Pois entre outros motivos que te trazem malefícios, o estar desarmado te obriga à submissão.
Nada mais óbvio em um jogo de futebol: quem domina e toma conta das atitudes é sempre possuidor da grande vantagem que só é perdida por um acidente ou por em determinado momento assumir uma postura covarde de recuar para segurar um resultado, seja ele qual for. Suas armas serão sempre o domínio do jogo.
De novo Maquiavel: o príncipe precisa habituar seu corpo aos incômodos naturais da vida em campanha e conhecer a natureza dos lugares, conhecer como aparecem os montes, como afundam os vales, como estão postas as planícies, saber a natureza de rios e pântanos.
Tudo o que “El loco” Bielsa não fez para enfrentar um time muito mais poderoso. Jogar contra o Brasil do jeito que o Chile o fez é não entender o que é o jogador brasileiro. Com espaço, com liberdade e prazer, ele é incomparável e impossível de se parar; imparável, eu diria. E deu no que deu: um show brasileiro. Que seja sempre assim.

