Sócrates
Tecnicamente, a última terça-feira foi o pior dia desta Copa do Mundo. Quem diria que em plena fase de oitavas de final, veríamos dois jogos de quase dar sono. O dia mais triste já havia ocorrido - a desclassificação do time da casa. Creio que a partir dali, o Mundial perdeu muito da alegria contagiante dos anfitriões.
De qualquer forma, as vuvuzelas continuaram a se manifestar, os sorrisos a serem estampados em todos os rostos e a euforia das vitórias também. Entretanto, inesperado foi perceber nesta última fase eliminatória as seleções se apresentando mais medrosas que na fase anterior, como se o medo da felicidade finalmente chegasse à África do Sul. Inesperado e difícil de entender.
Com exceção da Espanha - que desde o título da Eurocopa, há dois anos, se tornara um potencial candidata a uma vaga na final - todas as demais aterrissaram no continente africano sem grandes pretensões e só chegaram aonde chegaram por culpa de terem assumido um comportamento libertário - além de terem sido ajudadas pela incompetência de algumas seleções tradicionais.
Abrir mão deste comportamento no instante em que ele é mais necessário, somente por se darem conta de que podem chegar mais longe, é letargia provocada pelo sucesso momentâneo.

