Sócrates
O caso do goleiro Bruno, além do sentido trágico que carrega, nos mostra um pouco de como as instituições esportivas brasileiras - acho que na maior parte dos casos poderíamos globalizar esta postura - tratam episódios delicados provocados por humanos que as representam no momento em que ocorrem. Quando as atitudes, comportamentos e pensamentos estão de acordo com aquilo que poderíamos chamar de ideologia dominante ou do politicamente correto (?), tudo bem.
Estes indivíduos são tratados como seres interessantes para o sistema e explorados (no bom e/ou no mau sentido) como material a ser consumido pelos seguidores destas instituições. Porém, basta que estas pessoas se aproximem daquilo que é considerado marginal (quando se inserem em meio ou ações correlacionadas, então…) para passarem a ser desinteressantes para o modelo defendido por elas e imediatamente são abandonados, pois “feriram a ética envolvida nas questões” como se a ética fosse o estandarte maior a ser portado pelos coroinhas das mesmas.
Retirar o advogado do goleiro no exato momento em que ele mais precisa para se defender, se explicar e se sentir como cidadão com pleno direito a tal é no mínimo uma fuga da realidade, da nobreza e da dignidade humana que deveria servir como mote de qualquer associação social. Os seres humanos são o que são e nunca se mostram diferentes disso em instante nenhum de suas existências; suas falhas, fraquezas e carências devem ser tratadas com cuidado extremo principalmente quando estão abrigados em tetos nos quais confiam incondicionalmente.
Quando lhes tiram esta confiança, aí sim é que se destrói qualquer afeição ou afinidade o que produz extremas frustrações que serão fatais em cada segundo de suas existências futuras. Uma instituição que trata desta forma um dos seus que mais está precisando não precisa de mais nada para se tornar um nada. Que os demais se cuidem.

